Estudo pioneiro em parceria com startup Akko Health Devices usa equipamento de eletroporação que promete diminuir o número de manipulações do animal, reduzindo o custo e o tempo de tratamento

Pesquisadores do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), maior instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, estão conduzindo um estudo pioneiro que pode representar um divisor de águas no tratamento da esporotricose felina no Brasil. Pela primeira vez, os pesquisadores da instituição testam a eletroporação, técnica que utiliza pulsos elétricos, como terapia adjuvante o fungo Sporothrix em gatos.

Trata-se de uma parceria com o médico-veterinário e pesquisador Carlos Brunner, fundador da startup Akko Health Devices, que desenvolveu um equipamento inédito de eletroporação para matar o fungo causador da doença.

A esporotricose é uma infecção fúngica causada por fungos do gênero Sporothrix, que provoca lesões cutâneas e mucosas profundas e é considerada uma zoonose — atinge gatos e humanos. O tratamento convencional com antifúngicos orais em gatos exige administração diária por meses, com custo elevado e resultados nem sempre eficazes. A doença se tornou de notificação obrigatória em humanos pelo Ministério da Saúde em janeiro deste ano. Só o Estado de São Paulo já registrou mais de 7.700 casos em humanos nos últimos 10 anos, sendo que 87% de 2020 para cá.

Coordenado pela Dra. Isabella Dib Gremiao, médica-veterinária do INI/Fiocruz e referência nacional e internacional no estudo da doença, o projeto nasceu de uma parceria com o pesquisador Carlos Brunner, um dos maiores especialistas em eletroporação para uso veterinário no Brasil. Os dados iniciais do estudo conduzido no INI/Fiocruz já mostram evolução clínica expressiva, inclusive em casos considerados de difícil tratamento.

“Os primeiros casos tratados foram de gatos com quadros mais graves, que não apresentavam resposta satisfatória aos tratamentos antifúngicos convencionais (na maioria dos casos, a associação de itraconazol e iodeto de potássio por via oral), incluindo animais com lesões extensas na pele e acometimento de mucosas. Os resultados iniciais são encorajadores, com melhora clínica das lesões e, em alguns casos, cura clínica. No entanto, ainda estamos em uma fase inicial de avaliação, e é importante ampliar as observações para definir melhor o papel dessa técnica no tratamento da esporotricose felina”, afirma a Dra. Isabella.

“Quem tem gato sabe que dar remédio via oral é muito difícil. Eles rejeitam, vomitam e arranham para tentar fugir na hora da medicação. Há muitos medicamentos no comércio, alguns funcionam bem e outros nem tanto. Infelizmente isso só vai ser descoberto depois de meses de tentativa de tratamento e há o risco de se chegar à conclusão de que foi inútil. Dessa forma houve um desperdício de tempo e de dinheiro. Nessa mesma linha, a cada dia que se prolonga o tratamento, aumenta o risco de transmissão a outros gatos e às pessoas, inclusive os responsáveis pelos gatos”, explica o médico veterinário Carlos Brunner.

Desafio para saúde pública

Com a esporotricose se espalhando pelo país, a pesquisadora da Fiocruz defende uma abordagem integrada para o controle da doença.

“Ainda hoje, faltam programas oficiais estruturados de controle, unidades públicas de atendimento veterinário, acesso gratuito ao diagnóstico e tratamento, além de ações voltadas ao manejo populacional de gatos que possuem um responsável. A subnotificação, a falta de guarda responsável e o grande número de animais com acesso livre à rua contribuem para a manutenção da transmissão, principalmente em áreas socialmente mais vulneráveis”, explica Dra. Isabella.

Outro desafio importante é a necessidade de maior capacitação de profissionais veterinários para o diagnóstico precoce, manejo clínico adequado e orientação sobre medidas de prevenção e controle. Como se trata de uma zoonose, o enfrentamento precisa integrar saúde animal, saúde humana e ações ambientais”, acrescenta.

A pesquisadora também reforça o papel dos responsáveis pelos animais na redução do ciclo de transmissão. “Os responsáveis pelos animais têm papel central no controle da esporotricose. Medidas como: manter os gatos sem acesso livre à rua, castrá-los, buscar atendimento veterinário ao perceber lesões suspeitas, seguir corretamente o tratamento até a alta e evitar o contato do animal doente com outros gatos e pessoas, são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão. O abandono de animais doentes e a livre circulação de gatos contribuem para perpetuar o problema”, conclui.

Inovação por meio dos pulsos elétricos

Batizado de SPORO PULSE, o equipamento da Akko Health Devices, inédito no Brasil, atua sobre as células do gato, deixando-as vivas e atacando diretamente o fungo. “A estrutura celular dos fungos é diferente das células dos animais, cujos poros se abrem e fecham. No caso do fungo, os poros se formam e não se fecham mais, e ele morre. Trabalho com eletroporação há 18 anos e vi nesta técnica a possibilidade de provocar a formação dos poros irreversíveis nos fungos, devido suas características celulares. Ou seja, matando o fungo e preservando o tecido normal do gato”, explica o prof. Brunner.

Sobre o professor Carlos Brunner

Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo USP e mestre em Clínica Médica e doutor em Anatomia dos Animais Domésticos e Selvagens pela USP. Professor titular na Universidade Paulista UNIP; Membro da diretoria da ABROVET – Associação Brasileira de Oncologia Veterinária; Membro da ISEBTT – The Internacional Society for Electroporation Based Thecnologies and Treatments. Pioneiro no uso clínico de etroquimioterapia no Brasil.

Sobre a Akko Health Devices

A Akko Health Devices desenvolve soluções inovadoras em tratamentos com eletroquimioterapia para medicina veterinária. Formada por profissionais com mais de 30 anos de experiência, tem como objetivo promover a evolução do setor por meio da melhoria constante na saúde e no bem-estar dos seres humanos e animais.

O equipamento SPORO PULSE é um aparelho fabricado pela Akko Health Devices, destinado ao uso em medicina veterinária (cães, gatos e outros animais). O aparelho aplica uma sequência pulsos elétricos específicos para o tratamento e vem sendo usado com sucesso em clínicas e hospitais veterinários para tratar esporotricose em gatos.

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