Artigo pioneiro de cientista brasileiro mostra sucesso da eletroporação em infecções resistentes a antifúngicos tradicionais, que salvam felinos com lesões graves e reduzem risco zoonótico

A esporotricose felina, uma das principais zoonoses em expansão no Brasil, pode estar diante de um novo paradigma terapêutico. Um estudo científico publicado na revista Medical Mycology Case Reports demonstrou que a eletroporação — técnica baseada na aplicação de pulsos elétricos controlados — foi capaz de curar casos graves da doença em gatos que não respondiam ao tratamento convencional. Causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis, a esporotricose provoca lesões ulceradas severas e pode ser transmitida a humanos por arranhões ou mordidas, colocando o Brasil como epicentro global da enfermidade, com milhares de casos registrados anualmente em felinos e humanos.

A pesquisa, conduzida pelo professor doutor Carlos Brunner, descreve dois casos clínicos considerados refratários — resistentes ao antifúngico padrão, o itraconazol — que evoluíram para cura completa após a aplicação da eletroporação como terapia adjuvante. Casos como esses representam um dos maiores desafios da medicina veterinária, já que entre 30% e 40% dos quadros mais graves não respondem adequadamente ao tratamento tradicional, prolongando o sofrimento dos animais, elevando custos para os tutores e aumentando o risco de transmissão para humanos.

Nos casos analisados, os gatos apresentavam lesões extensas, ulcerativas e proliferativas, sem melhora mesmo após meses de terapia antifúngica. Com a introdução da eletroporação, ambos evoluíram rapidamente: um alcançou remissão completa após três sessões, enquanto o outro foi curado com apenas duas aplicações, sem recidiva durante o período de acompanhamento. A técnica foi aplicada com o uso do equipamento SPORO PULSE, desenvolvido pela Akko Health Devices, startup que vem se destacando no desenvolvimento de soluções baseadas em eletroporação para aplicações médicas e veterinárias.

O método consiste na inserção de eletrodos nas lesões, com aplicação de pulsos elétricos de alta precisão que criam poros irreversíveis nas células do fungo, levando à sua destruição, ao mesmo tempo em que preserva os tecidos saudáveis ao redor. Realizado sob anestesia, o procedimento reduz efeitos colaterais sistêmicos e acelera o processo de cicatrização. Os resultados observados incluem remissão completa com apenas duas a três sessões, redução rápida da inflamação e da secreção, cicatrização total das lesões e ausência de recidiva, indicando um perfil de segurança e eficácia bastante promissor.

Para os especialistas, a eletroporação pode representar uma mudança de paradigma no tratamento da esporotricose felina, especialmente nos casos mais complexos. Além dos benefícios clínicos, a inovação tem impacto direto na saúde pública, ao contribuir para a redução da carga infecciosa e, consequentemente, do risco de transmissão para humanos. Diante do avanço da doença em todo o território nacional, soluções como essa reforçam o papel da inovação tecnológica no enfrentamento de desafios sanitários relevantes e posicionam o Brasil também como protagonista no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.

Saiba mais sobre o estudo publicado na Medical Mycology Case Reports.

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